Café Bagdad

À conquista das palavras...

Name: carla
Location: sintra, Portugal

I was born in Mozambique. I'm Portuguese, but my heart is half Portuguese, half African. I'm still thinking that one day we can change the world.

Wednesday, April 15, 2009

A COR DA PELE ou A COR DO DINHEIRO

Eis-me de volta. Apetece-me opinar.

Neste último ano, feito de quedas nas bolsas, inflação, deflação e quejandos, assistimos a mudanças na sociedade impensáveis há um ano.

Esperava-se demasiado da chegada de Obama ao poder. Que sacudisse o pessimismo, mas tal não aconteceu ainda. É cedo, dirão os mais optimistas. Hum hum, digo eu, sempre apostada na concretização dos meus sonhos, de quando em vez, feitos realidade.

O disparate todo foi pensar-se que a cor da pele podia mudar alguma coisa. Deu mais esperança a uma sociedade decadente, já não foi nada mau. Todos ficaram contentes, mas Wall Street continuará a mandar e o resto será paisagem.

Quando se pertence a uma classe de poder, qualquer cor, tamanho ou idade são aceites. Só os inocentes acham que assim não é. Não será a cor da pele que irá mudar o mundo, por mais emocionante que os discursos sejam.

Sinceramente, alguém pensa realmente que o mundo pode mudar pelo simples facto de um mestiço ser eleito presidente dos EUA? Digo mestiço porque abunda a ignorância sobre a distância entre um mestiço e um africano. Deixo um espaço em branco para a digestão desta afirmação. Interpretação livre.





Sendo europeia-africana, estou ansiosa que o exemplo de Obama se reproduza, em África, permitindo que alguém da minha raça se candidate a qualquer cargo político nos países onde nasceram. Apenas a cor da pele é impeditiva, por enquanto.

Para que não haja más interpretações, quero deixar bem claro que sempre lutei pela independência da terra onde nasci. Tive o sonho de Moçambique ser, de facto, a terra de todos os Moçambicanos. Entre os melhores amigos, tenho a felicidade de contar com pessoas de todas as etnias (agora, sim, estou a ser politicamente correcta).

Mais que o racismo da cor da pele, pesa o racismo da cor do dinheiro. É ver vedetas serem apaparicadas por aqueles que evitam roçar um ombro mais trigueiro, num espaço público.

Deixemos esse grande mestre que é o tempo passar. Que Obama continue a dar-nos esperança!

Thursday, March 27, 2008

Olhando para o passado

Maria Cavaco Silva foi a Moçambique para matar saudades. Do liceu, da terra, das gentes, daqueles tempos que nos deixaram marcados para sempre.

Mas há, obviamente, que olhar o passado, sem complexos, mas pensando no futuro, para que não se repitam os mesmos erros.

Há dois anos estive lá e adorei, todos sabem que regressei encantada com a minha terra. Mas deixou-me triste ver o neocolonialismo que por lá se instalou, não tanto de portugueses, verdade seja dita. Outros há que têm sabido aproveitar bem melhor a fraqueza de quem é tão vulnerável.

Gostaria muito que todos visitássemos, de vez em quando, a nossa terra. Ainda bem que vão pôr mais um voo semanal, espero que baixem os preços dos bilhetes, se assim não fizerem, não vai adiantar nada.

Também espero que os senhores do turismo se dêem conta de que os preços praticados são absolutamente exorbitantes, completamente fora de contexto, sobretudo quando vemos todos os pacotes de destinos exóticos a serem vendidos quase a metro. Umas férias em qualquer praia de Moçambique sai o triplo de umas férias nas Caraíbas.

Conjugando a boa vontade na política de preços e a saudade de quem lá viveu, será mais fácil para nós, portugueses, olharmos o passado para podermos corrigi-lo, sempre que possível.

A saudade é um sentimento bem português que ajudará, certamente, a fixar este olhar.

Tuesday, February 19, 2008

NADA DE NOVO - COMO É POSSÍVEL ?

Olho para trás, no tempo, e verifico que tudo continua na mesma. Como é possível?

Vivemos num país em que nada muda - quando alguma coisa muda, é para pior.

Veio o Natal, fomos bonzinhos, generosos, amorosos, foi-se o Natal, fora com isso tudo, toca a passar a perna ao parceiro, tirar o tapete, deixá-lo sem rede. Enfim... não falo por mim, mas sim daquelas "avis raras" que aparecem muito boazinhas, para desaparecerem logo de seguida, reaparecendo sem máscara.

Máscara, máscara... o Carnaval já passou. Ainda bem, podemos voltar a usar a máscara 365, que este ano é a 366.

Estamos na Quaresma, quase a chegar à Páscoa. Vamos outra vez fingir que somos bonzinhos? Que gostamos dos pobrezinhos, ainda que seja só por uns dias? Logo a seguir, podemos voltar ao que somos.

Se pensarmos bem, no meio disto tudo, se formos fazendos uns intervalos na maldade, sempre há uns dias durante o ano em que somos menos execráveis.

Pareço mais amarga do que é normal, mas é por causa da chuva. Aquela chuva que caíu ontem e nos deixou, novamente, tal como em 1967, perante a nossa imagem de sempre - nada mudou, só as minhas rugas, o meu peso, os meus cabelos brancos. Porque a impreparação, o "desenrasca", o desespero, são iguazinhos. Nada de novo, apenas e sempre, o mesmo fado.

Será a isto que chamam fado? Se é, temos de criar outro tipo de "música". Porque esta já não dá, nada muda, tudo fica na mesma. Temos de tentar mudar. Pelos nossos filhos.

"Pelos nossos filhos" - ouvi esta frase, este propósito, precisamente há 29 anos. Na altura, eu era "filha". Já tenho idade para ser avó...

Como eu dizia, nada de novo - como é possível?

Sunday, November 18, 2007

JÁ É NATAL

Logo a seguir ao pequeno almoço, mobilizei o meu marido para começarmos o Natal. Lá fomos decorar o pinheiro que temos no jardim. Ele sempre a achar esta minha fantasia um poucochinho infantil para a minha idade, que eu aindo sinto ser a das ilusões.

Enquanto escolhia os enfeites, regressei à minha infância, essa, sim , a idade das ilusões. A maior parte delas, não se concretizará nunca, mas tem valido a pena pelas que se transformam em realidade.

Quando era pequenita, acreditava que o Natal era mais meu que das outras pessoas. Porque nasci a 24 de Dezembro, o dia mais lindo do ano, aquele em que ainda suspiramos pelas prendas que hão-de vir, ou não. O dia 25 é o repouso, o 24 é a paixão ao rubro, a verdadeira febre do Natal, que desaparece com os papéis amarrotados e os laçarotes desfeitos.

A minha avó convencia-me que a árvore era minha, as bolas eram minhas, o dia era meu. E eu acreditava, queria acreditar... a minha irmã fazia sempre uma enorme festa de aniversário em Novembro, muitos convidados, muita alegria, prendas, familiares e amigos a entrar e sair, denfim, um rodopio.

Quatro semanas depois, chegava o Natal, que era festa para toda a gente, poucos se lembravam de mim, na melhor das hipóteses, uma visita-relâmpago e um presente para mim, outro para a minha irmã, para ela era sempre a bisar, de Novembro a Dezembro. Ainda hoje, penso que a minha avó tentou compensar-me, criando em mim a fantasia do "meu " Natal. Para que eu não me sentisse tão só e esquecida.

A avózinha ia para a baixa, às compras, cometia as maiores loucuras, perdia-se por completo com as bolas de Natal. No regresso da escola, lá estava ela, para me dar aquelas "prendas", coloridas, brilhantes e quebradiças. Para a minha árvore de Natal, dizia sempre, com ar persuasivo.

Mas o mais importante do Natal é a partilha, foi com ela que aprendi isso, e ainda continuo a gostar de comprar para encher os outros de alegria. Nesta quadra, a tendência é dar prendas por obrigação social - não seria melhor se instituíssemos o Natal como forma de vida, não esquecendo nunca os mais desfavorecidos, os refugiados de guerra, dando amor e solidariedade durante doze mes por ano?!?...

Pois é, pensei nisso tudo enquanto fazíamos a nossa árvore de Natal. Já que não pode ser todo o ano, oferecemos aos vizinhos uns minutos diferentes, sobretudo quando vão para a paragem de autocarro, mesmo aqui em frente.

A intenção é que, ao pararem, se interroguem "porquê tão cedo?" e nos seus corações surja a única resposta possível "porque tem de ser Natal todo o ano". Que tentem ser mais simpáticos com aqueles com quem se cruzam, mais solidários e prestáveis no trabalho, nos transportes,enfim, por todo o lado. Só uma mudança de atitude ajudará a melhorar o mundo.

Já é Natal, toca a melhorar!.. Ou isto não passará tudo de uma farsa em que nos permitimos ser bonzinhos durante uns dias, para aliviar as consciências pesadíssimas de todos os erros voluntariamente cometidos ao longo do ano.

Fico cheia de esperança que a nossa árvore de Natal ajude à reflexão e mobilização para um mundo cada vez mais bonito e bom, para todos. Que este Natal todos se esforcem por melhorar a vida dos outros, distribuind sorrisos, amor, simpatia, carinho, sem esquecer de pressionar o poder político - só será o meu Natal quando não houver guerra e fome.

Foi para esse Natal que a avózinha me preparou, generosa como era. Será que vou morrer sem ter vivido o meu Natal, aquele, o verdadeiro, de que ela me falava, como se um dia fosse acontecer?...

Dedico este Natal à minha filha. Quando ela acordar e levantar a persiana, vai ficar radiante, ao ver a árvore. Ela e a geração dela têm de conseguir aquilo que eu não fui capaz - um Natal para todos.

Tuesday, October 23, 2007

RAFAEL DE COZÁR

A poesia é universal, há que divulgá-la, para podermos ajudar a criar um mundo melhor.

Graças ao grande amigo e poeta Joaquín Ramirez Garrido, El Aviador Capotado, publico aqui o poema YA NO QUEDA, do poeta RAFAEL DE COZÁR, nome que dispensa apresentações.

Bem hajas, Joaquín!

YA NO QUEDA

Rumbé sin novedad por la veteada calle
que yo me sé. Todo sin novedad,
de veras. Y fondeé hacia cosas así,
y fui pasado...
César Vallejo. Trilce
Qué puedo decir de ti si ya no queda
ni un mínimo rescoldo en la penumbra
del fondo acristalado de mi copa,
o tal vez sólo un tímido recuerdo de tu piel
cuando en la cama tuerzo las esquinas
y la miel ondulante de tu pelo
me empaña las pestañas de color.
Fui olvidando tus medias en la cómoda,
tu cepillo de dientes, tus camisas
y ponerme tus jeans a mi medida.
He olvidado la cocina para dos
y ya no uso jamás tu cazadora;
me basta una ración en la comida,
no preciso llenar la lavadora
y he cubierto el hueco en la repisa
que dejaron tus libros y tus cosas.
He cambiado las plantas que te gustan
y ordenado de otra forma el salón,
torcí los cuadros por romper la simetría,
arrojo la ceniza en los rincones

Monday, October 22, 2007

O HOMEM DAS SEXTAS-FEIRAS

Aqui vai mais um belíssimo poema do nosso grande amigo, POETA maior da língua castelhana, JOAQUÍN RAMIREZ GARRIDO:

EL HOMBRE DE LOS VIERNES
Verle en aquella atmósfera
De música loca,
Paseando entre la gente,
Alisándose el teñido pelo,
Con la mirada fija
En ojos de mujeres
Que nunca serían suyas.
Me divertía.
Porque yo sabía que estaba,
Acosado por el ocaso,
Mimado por el sueldo certero.
Plano y estúpido,
Aditado de patéticas ropas
Sin acomodo en su cuerpo,
Intentando entrar
En el purgatorio del ritmo,
Pero sabedor del cielo
De acogedor neón de su oficina,
Y la certeza de la próxima nómina.

HOSPITAL RIMA COM MAL

Fui para o Hospital Amadora-Sintra, no domingo, 07 de Outubro, com insuportáveis dores de ouvidos.

A médica que me "atendeu", disse que tinha de ir para S.José, porque NÃO HÁ OTORRINO DURANTE OS FINS DE SEMANA.

Otorrrino, aquele médico que trata constipações, gripes, otites, etc., não existe nenhum durante os fins de semana. Até parece que é uma especialidade daquelas muito raras...

Saí do S. José com um braço partido - ainda antes de entrar, deslizei naquele piso altamente irregular, que convida à queda.

Foi um dois em um - e ainda tenho andado a pagar exames e consultas. Embora me tivessem levantado do chão e colocado numa cadeira de rodas, ninguém veio assumir responsabilidades. Aposto em como nem registaram o acidente como sendo "caseiro".

Agora, a questão que se levanta é esta - a quem peço contas?

1. Hospital Amadora-Sintra - se tivessem otorrino eu não teria ido para S. José?

2. Hospital de S.José - o piso é escorregadio, velho e irregular, causador de múltiplas quedas?

Tenho a certeza de que alguém vai ter de me explicar para onde vão os meus impostos, que nem um otorrino arranjo na minha zona de residência. Quero saber quem vai assumir a culpa. Desta vez, não vai morrer solteira.

Monday, August 13, 2007

Até que enfim!... Oh, Maddie!...

Até que enfim!...

Durante uns meses, não escrevi porque não conseguia entrar no meu blog, desde que mudou o endereço, tudo se complicou.

Muito se tem passado neste país, no mundo, a merecer comentários. Sobretudo comentários desalinhados, como os meus. Sempre gostei de escrever aquilo qu penso, ainda que me aperceba estar muito fora do tom.

Aqui vai o primeiro comentário ao mais mediático desaparecimento de uma criança, e logo no nosso país.

Não sei de quem é a culpa, nem adivinho o que se terá passado. Leio, vejo, ouço, e ainda não vi nenhum comentário que reflectisse o que eu penso disto tudo - para mim, o mais importante é a criança.

Logo a seguir, parando para reflectir um pouco, verificamos que algo errado, muito errado mesmo, se está a passar, com a conivência de todos nós - parece-me que há uns pais que souberam rentabilizar demasiadamente bem a desgraça do desaparecimento da filha.

A eventual notícia da sua morte irá acabar com a galinha de ovos de ouro que tem sido aquele inexplicável site de angariação de fundos.

Não vejo ninguém preocupado com isto, pelo menos, na comunicação social, afloram o assunto muito pela rama. Isso não me agrada, já que:

1. Porque não revertem esses fundos única e exclusivamente para a busca de crianças, compra de equipamentos sofisticados, etc?

2. Como é possível que esses fundos paguem alugueres de casas no Algarve aos pais, bem como outras despesas pessoais?

3. Como deixamops que esse casal viva à conta dos donativos, sendo eles médicos jovens e saudáveis?

4. Porque não se apresentam como voluntários para trabalhar como médicos em hospitais, associações de crianças, idosos, etc.?

5. Alguém acha normal que se vá a um site buscar dinheiro para viver sem trabalhar?

6. A quem beneficia a continuação desta história?

7. Ninguém acha chocante que, logo ao abrir o site, apareça aquela sugestão para o donativo?

Eles podem não ter culpa, mas que sabem aproveitar-se bem, lá isso sabem. Para mim, isso diz tudo sobre o carácter deles.